Café Efervescente

um banho quente de tesão e ação de pensamentos absurdos

Sábado, Outubro 03, 2009

DAS MINHAS ÁGUAS VIRTUOSAS

em certos sonhos
de um você que ainda não conheço
o mundo fica imenso
lubrificadamente manchado de mim

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

redenção uma ressaca do corpo

tudo devo a quem não mais me toca
naquele que em mim não mais coloca
nele que não perdeu a cor
em mim que não sinto mais dor

Não há escolhas quando se fica
Em todos os caminhos
só o chão é a recompensa
de quem já foi camponesa
e parou de rolar na grama do tatame

Se de mim perdi-me
fico e atiço feras e cavuco feridas
só para assustar pessoas desavisadas

Desculpe-me queridos
por ora só a competição me interessa
Adorados sejam os suores desconhecidos e pseudo-desejáveis
para um depois qualquer

Essa é a hora
de meu esboço
estado-lantente de vida
planta de plástico

Pode ser que de repente
queira respirar orvalhos
e compor algum jardim

Por enquanto
permaneço causando pequenas ameaças
deslizando descalça por entre as madeiras das vigas
que sustentam-me essa vida
e arrancando as farpas dos pés inchados

Sexta-feira, Junho 19, 2009

entre ser-me

ausências
me encho
inflo
na minha terra as
armadilhas não explodem

hoje senti enjôos
por talvez não ser mãe
e não ter sido filha

não vivo no adequado
tropeço
remexo
rabisco

talvez mergulhe
para negar o oxigênio
e respirar natureza

Terça-feira, Maio 12, 2009

moreno




Moreno
Mulato que corre
Não foge
Desespera
Espalha
Enfrenta
Socorre
Finca o pé
Sapateia
Samba
Salseia
Reitera
Refaz
Desdobra
Desfaz
Desmonta
Faz as coisas girar
Agencia
Autoriza
Acalma
Malha
Molha o corpo
Sua
Rebola
Carne crua
Insinua
E a algumas
Acolhe.

Sábado, Abril 25, 2009

diário de uma cromática

Diário de uma Cromática

Ela não lhe mostrava tudo o que gosta
Indicava pistas
Sob o rastro de um all-star
Semi- novo semi- limpo

Passeia pelo bar
Medindo colos
Cheirando virilhas

Velha demais para ser menina,
Continua longe de ser adulta

Sonha carícias mortas
Aduba amores futuros
Não veste pijama

No seu ínterim
Já tem terra de cemitério
E apesar de colorir desenhos
Vê certos dias em tons monocromáticos.
Tivera sua fase azul

O fato é que nunca aceitou pedaços
O bolo quando dela
Tem que ser inteiro

Dorme desnuda transparente
Faz cera ao acordar
Para evitar vestir-se

Nunca colheu amoras
Mas adoraria fazê-lo
Sua beleza é difícil
Estica arestas afiadas
Quando quer espantar pessoas

Apesar disso guarda sua doçura
Para os poucos de quem não abre mão.
Àqueles de quem não se desfaz
Promove festas diárias
E todo seu mel fica à mostra.

Domingo, Janeiro 04, 2009

prece póstuma de natal

o quero
é um sorriso gente fina
e um corpo
que me fosse sempre bem vindo

Domingo, Dezembro 07, 2008

ANTI RETRATO

penso em você
pura devassidão
me olho
me calo
reprimo
me enquadro
não adianta
ESCORRO

Sábado, Novembro 29, 2008

DIFÍCIL ATERRIZAGEM

Esperava que me procurasse
Do mundo o que sobra
É um silêncio branco e opaco
Daquilo que deveríamos gritar
Mas que não sussurramos
Para ninguém
A dor nunca irá sair da carne
Mas às vezes é bom ser amaciado

Odeio essa solidão gelada
Porque ela não apaga minhas brasas
Os corpos precisam ser socializados
Os sentimenos também
Mas ninguêm está interessado nisso ao que parece

Agora sem asas
Me aprumo para aterrizar
Em qualquer um desses tédios
Dispostos no chão das cidades
A espera de um amor quente e seguro

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

SOBRE O FAZER ANOS

SOBRE O FAZER ANOS: RESPOSTA A MEU PAI
Nesta hora as coisas ficam elevadas de si
O mundo entra numa suspensão absurda
Não que dantes tivera algum sentido
Mas que, agora, mostra-se deveras irregular.

Não se tem muito em comemorar nesses dias próximos
Estar vivo é um estado de ficar só
Enlouqueço nessa época
Grito por colo
Mas o caos não propaga o som.

Os anos passam
Mortos são lembrados
Alguns vivos esquecidos
Quem são aqueles que importam?

Há um mundo na minha frente
E meu único desejo permanece sendo
Um abraço quente e aconchegante.







DE IVOR BARRETTI, O PAI PARA THAÍS, A FILHA:

Mais alguns dias e você completará anos.
Poderá recitar:
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
- Serei velho quando o for! Sentença potente, rija, altaneira. Serei velho quando o for! Quando me permitir ser velho! Quando eu me deixar envelhecer! Antes não!
Antes não.
Antes de ser velho (e ainda não o sou totalmente) fui menino, travesso, alegre, inconseqüente, em busca de mim mesmo.
Hoje envelheço!
Todavia sorrio contente, calmo, manso.
Você ainda não envelhece.
É preciso muitos anos para o envelhecer!
Você desabrocha, flor linda e sensual.
E os anos te acrescentarão gostosura.
Somente.
Sê feliz.
Amo você.

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

DOS ARMAMENTOS


Por enquanto
Me mantenho arisca
Lisa e escapável
Presa em espaço decantado
Avessa às forças de qualquer aliança
Mesmo negada
Não me abalo
Encho os bolsos com pedras limpas
Espero o foco para um
Ataque futuro e certeiro